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    Governo da Bahia e agências adotam critérios excludentes na publicidade oficial, dividindo a imprensa entre “patinhos feios” e “bonitos”

    Bahia – A recente reformulação nos critérios de distribuição de publicidade oficial adotada por agências de propaganda parceiras e pela Secretaria de Comunicação Social (SECOM) do Governo do Estado da Bahia vem gerando forte indignação e repúdio em diversos setores da comunicação regional. Ao centralizar os investimentos de mídia exclusivamente em veículos de comunicação de massa — sob a justificativa de "enorme audiência" — a atual gestão praticamente sepultou o apoio institucional aos portais, rádios comunitárias e blogs locais de menor porte, segregando a imprensa baiana de forma inédita e perigosa.



    Na prática, a nova política instaurou um sistema discriminatório que separa os veículos de comunicação entre o "patinho feio" e o "patinho bonito" da Bahia.

    Uma inversão de valores ideológicos e democráticos

    O ponto mais alarmante dessa exclusão repousa na contradição política e ideológica do atual governo. Historicamente, a imprensa independente, popular e interiorana da Bahia — agora pejorativamente tratada como o "patinho feio" pela asfixia financeira — é a que mantém maior identificação com as pautas e o segmento político de esquerda. São canais que dão voz às minorias, aos movimentos sociais e às demandas que historicamente fundamentam a base de apoio do próprio partido que governa o Estado.

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    Em contrapartida, os veículos agraciados com vultosos contratos de inserção publicitária — os "patinhos bonitos" de grande audiência comercial — concentram-se nas mãos de conglomerados de mídia que, em sua grande maioria, alinham-se ideologicamente ao centrão e à extrema direita. Ao privilegiar unicamente o alcance métrico em detrimento da capilaridade social e da pluralidade, o Governo do Estado acaba por financiar e fortalecer justamente o discurso que combate suas próprias diretrizes políticas.

    O erro técnico que ameaça o futuro da comunicação

    A decisão da SECOM e de suas agências licitadas é tecnicamente falha e carece de visão estratégica de longo prazo. A publicidade governamental não deve ser tratada sob a mesma lógica mercantilista de uma marca de refrigerantes ou de automóveis. O papel da publicidade oficial é informativo, educativo e de utilidade pública, necessitando chegar aos rincões mais isolados e às comunidades periféricas — locais onde a grande mídia comercial muitas vezes não tem interesse e nem presença, mas onde o pequeno produtor de conteúdo local é a principal fonte de informação.

    Ao sufocar financeiramente os pequenos e médios veículos baianos, o governo comete um erro crasso que pode alterar profundamente o cenário da comunicação no futuro. Entre as principais consequências dessa política excludente, destacam-se:

    • Desertificação Noticiosa: O fechamento de blogs e portais no interior deixará municípios inteiros sem cobertura jornalística local.

    • Fortalecimento de Monopólios: A dependência exclusiva de grandes redes perpetua o monopólio da informação na mão de poucas famílias tradicionais.

    • Aumento de Fake News: Sem veículos locais profissionais e auditados para checar as informações locais, o espaço nas redes sociais será dominado por desinformação.

    "A democratização da mídia não pode ser apenas um slogan de campanha; ela se faz na partilha justa dos recursos públicos."

    Nota de Repúdio

    É inadmissível que um governo eleito sob a bandeira da inclusão social e da desconcentração de renda aplique, na comunicação, uma lógica que pune quem está na base. Classificar o jornalismo regional como de "menor audiência" para justificar o corte de verbas é fechar os olhos para a identidade baiana e para o direito à informação.

    Urge que a SECOM e as agências contratadas revisem imediatamente esses critérios, sob pena de colherem, em um futuro muito próximo, o enfraquecimento de sua própria sustentação democrática e a destruição de um ecossistema de imprensa que levou décadas para ser construído na Bahia. O "patinho feio" de hoje é, na verdade, a voz mais legítima do povo baiano.


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