Ícone da arquitetura moderna da Bahia pode ser protegido pelo Estado

O Edifício Caramuru, localizado na Rua da Grécia, nº03, esquina com a Avenida Estados Unidos, no bairro do Comércio, em Salvador, pode ser protegido através do tombamento como Patrimônio Cultural da Bahia. O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) fez pesquisas, estudos e elaborou um dossiê que está no Conselho Estadual de Cultura (CEC) para ser analisado. O dossiê foi produzido por equipe multidisciplinar de especialistas do IPAC.

A construção modernista localizada na Cidade Baixa, próxima ao porto de Salvador, é de autoria do arquiteto carioca Paulo Antunes Ribeiro e recebeu a menção honrosa na 1ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 1951. De acordo como o professor e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), José Eduardo Lefèvre, a edificação consta em algumas das mais importantes publicações de arquitetura. “Esse prédio é um ícone da arquitetura modernista no Brasil e uma referência internacional no nosso país”, disse Lefèvre, quando soube da possibilidade do tombamento. Ele é o atual presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

INOVAÇÃO MODERNISTA – De acordo com o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira, o edifício baiano teve a inovação de utilizar brise-soleils, que são grandes painéis de 6 m² cobertos por telas metálicas. “Distribuídos em planos alternados, os painéis trouxeram leveza, fruição e movimento às fachadas do prédio, considerado como um dos itens da criatividade e beleza do projeto”, explica João Carlos.

Responsável pela política pública estadual de proteção aos bens culturais da Bahia, o IPAC promove nos últimos anos estudos e tombamentos de edificações modernistas, como uma ação global e inédita na Bahia. “Além do edifício Caramuru, realizamos pesquisas e tombamentos provisórios de outros prédios modernistas e Art déco, como os edifícios Sulacap e A Tarde, na Praça Castro Alves, Oceania no Farol da Barra, Edf. Dourado na Graça, e Hospital Aristides Maltez, em Brotas”, afirma o diretor geral do IPAC.

HISTÓRIA e PRIORIDADE – O edifício comercial, de volume prismático, foi construído pela extinta empresa Prudência e Capitalização e representa um dos primeiros e principais exemplares da arquitetura moderna filiada à corrente do Rio de Janeiro em Salvador. Prova desse valor é a sua divulgação em artigos de importantes revistas internacionais como a francesa L’Architecture d’Aujourd’hui, em 1952, e a italiana Domus, em 1954. 

Na concepção teve como elementos significativos o seu acesso impactante por um saguão de dois pavimentos duplo com um mezanino de linhas curvas, sua cobertura em terraço jardim, desenvolvido pelo paisagista Roberto Burle Marx, que deveria proporcionar um visual verde ao observador a partir da Cidade Alta, e servir de referência para as futuras edificações do Comércio. Nessa cobertura havia ainda painel de Mário Cravo e foi implantado um apartamento para a diretoria da empresa, além de um volume cilíndrico correspondente à caixa do elevador. O prédio de oito pavimentos tem estrutura em concreto armado.

Após análise do CEC, o processo passa pela Secretaria de Cultura e depois vai para o gabinete do governador. Ao ser tombado através de decreto do governador publicado no Diário Oficial, um imóvel passa a ter prioridade nas linhas de financiamento, como nos Editais da Secult (http://goo.gl/fHKksh) que incluem também projetos, obras e restauração de prédios. Conheça os bens culturais protegidos pelo Estado e União: http://patrimonio.ipac.ba.gov.br. Acesse: www.ipac.ba.gov.br, facebook Ipacba Patrimônio, twitter @ipac_ba e instagram @ipac.patrimonio.

Assessoria de Comunicação – IPAC, em 01.11.2016
Jornalista responsável Geraldo Aragão (DRT-BA nº 1498)
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