Biblioteca Central do Estado da Bahia inova em tecnologia para deficientes visuais

Entrega de óculos com inteligência artificial promove inclusão através da leitura. Evento aconteceu nesta quinta-feira (25)



A Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB) inova em tecnologia e se torna a primeira instituição do estado a oferecer óculos com “inteligência artificial” para os frequentadores do setor Braille, no bairro dos Barris, em Salvador, promovendo a inclusão através da leitura. A entrega de nove óculos OrCam MyEye à Fundação Pedro Calmon (FPC),  órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), ocorreu na manhã desta quinta-feira (25), na sede da biblioteca.

O evento para entrega dos equipamentos teve a presença dos secretários estaduais de Cultura, Arany Santana, e da Fazenda, Manoel Vitório; do diretor geral da FPC, Zulu Araújo; do diretor da Mais Autonomia Tecnologia Assistiva, distribuidora exclusiva da OrCam no Brasil, Doron Sadka; da Associação Baiana de Cegos e do Centro de Apoio Pedagógico do Deficiente Visual (CAP).

Para a secretária estadual de cultura, Arany Santana, a Bahia vive um momento histórico.  “É muito bom estar compartilhando com todos aqui presentes deste momento de extrema importância. Estou satisfeita porque essa é a prova do compromisso do Estado com a inclusão. Esses óculos são um bem maior, pois mudam a realidade dos deficientes visuais. Entender isso é unânime”, afirma.

Ao fazer a entrega à secretária Arany e ao secretário Manoel Vitório, o diretor da Mais Autonomia Tecnologia Assistiva, Doron Sadka, enfatizou a importância da ação. “É uma honra entregar este equipamento para proporcionar, a todas as pessoas que têm dificuldade de ler, acesso aos livros desta biblioteca”. Sadka ressalta que cerca de 80% das atividades que realizamos no dia a dia estão relacionadas à leitura. “O OrCam MyEye proporciona inclusão, dando acesso à informação onde a pessoa estiver”.

O diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo, também destacou a importância de adquirir os novos equipamentos. “Estamos proporcionando aos deficientes visuais, analfabetos, idosos e às pessoas que têm limitação visual, óculos com câmera, que pode fazer a leitura em qualquer idioma. Este equipamento traduz a leitura e é o mais moderno e avançado do mundo”.

A diretora da Biblioteca Central, Naiara Malta, ressaltou que essa é a primeira instituição da Bahia a oferecer o equipamento. “Essa tecnologia, além de fazer a leitura dos signos, transforma em áudio, facilitando o acesso à informação. Faz também o reconhecimento de cores, dinheiro e embalagens. Isso dá uma autonomia grande para os deficientes visuais”.

A representante da Associação Baiana para Cultura e Inclusão (ABACI), Cristina Gonçalves, também esteve presente ao evento e manifestou a emoção de todos os deficientes visuais, ao colocar e inaugurar, entre lágrimas, o equipamento. “Quando perdi a minha visão tinha 23 anos, havia passado na universidade para Sociologia, e para terminar foi muito difícil. Hoje, fico feliz, pois a gente entende que tem um Estado que é para todos. Esses óculos são o primeiro passo. Não queremos privilégio, mas acessibilidade. Quero convidar agora outros amigos deficientes visuais para usar e experimentar a liberdade, o acesso à cultura e a educação”.

A esperança de ampliar os benefícios da tecnologia para mais pessoas também chegou para Vânia Queiroz, 61, funcionária da Biblioteca há 23 anos. O pai dela, Ernani Queiroz, 92, é deficiente visual e a família não acreditava mais na possibilidade dele continuar lendo. A bibliotecária ficou entusiasmada em poder proporcionar a ele novamente acesso à leitura. “Ele lia todos os dias os jornais e com a perda da visão ficou impossibilitado. Esta inovação vai facilitar a vida dos deficientes visuais e devolver a ele a oportunidade da leitura”.

Esperança renovada também para Euclides França, 66, morador do Arraial do Retiro, no Cabula, e deficiente visual. Ele se deslocou até a Biblioteca dos Barris, no Centro de Salvador, somente para experimentar as maravilhas da tecnologia. Ele não escondeu a empolgação em usar o equipamento. “Que maravilha! Trabalhei por 25 anos como motorista de ônibus, mas perdi a visão devido ao glaucoma. Ver as letras nesse livro agora é bom demais”, contou.

Sobre os óculos - O OrCam MyEye 2.0 é um dispositivo de inteligência e visão artificial que permite o acesso fácil, intuitivo e instantâneo à informação disponível em tempo real e funciona offline. Dentre as funcionalidades, os óculos podem ler textos em qualquer superfície em português, inglês e espanhol; reconhecem produtos e código de barras; identifica cédulas de dinheiro; reconhece rostos, cores e informa a hora e a data.



25/10/2018



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