O Bode Expiatório

A expressão bode expiatório surgiu quando o povo hebreu comemorava uma festa religiosa, onde dois bodes eram separados do rebanho junto com um touro.Depois do sorteio , um bode era sacrificado junto com o touro e o outro era solto para levar o pecado do povo.


A expressão bode expiatório foi usada pelas as mais variadas ideologias para seus fins, para justificar guerras, genocídios e sempre foi uma apropriação para legitimar uma ação. Os fatores circunstancias, os discursos, os dilemas morais e éticos, a cooperação promiscua sempre são mais fáceis de lidar quando se tem um bode expiatório para ser abatido. 

Na regra de qualquer iniciativa os culpados já devem ser definidos, mesmo que a culpa não seja assim tão fácil de ser quantificada ou dimensionada.

Um remake da expressão é visto, hoje, no Brasil com todo o seu significado original incorporado na polarização de vitimas e culpados, de santos e pecadores, de paladinos da ética e agentes da destruição moral. Uma realidade que pode mudar as peças na próxima delação do lava jato.

Na fogueira das vaidades que consomem a crença na representatividade democrática, no vigor e legitimidade das instituições, e em algum resquício de vergonha partidária que ainda existe, somos todos conduzidos para o altar do sacrifício. Isso é inevitável se pensarmos em uma país como uma grande comunidade.

Os discursos mais abrasivos e passionais que procura um bode expiatório apenas na superfície dos problemas conjunturais do Brasil e que tem na solução simplista de uma ruptura constitucional, mantendo o mesmo sistema que se retroalimenta com os mesmos vícios, as mesmas barganhas, a submissão ao capital financeiro e a desvocacionalização da vida pública, é um argumento que não subsiste mais alguns passos na História.

A procura de um bode expiatório obscurece o problema pois é sempre resultado da transferência de culpa e até mesmo da omissão. A eficiência aqui não passa de retórica e de palavras inócuas jogadas ao vento sem nenhum pé na realidade dos fatos.

Deixemos de lado os argumentos que incita a polarização de uma sociedade de bons e maus, da passionalidade doentia, da miopia estrutural, do partidarismo marcado pela supremacia de uma visão salvadora, e nos apeguemos a um debate que seja marcado pela necessidade do bem comum e de um projeto chamado Brasil que esteja acima de todas as nossas mesquinharias Históricas, da nossa pequenez cívica e da doentia individualidade que é um traço marcante da nossa História.

Se as paixões partidárias e o debate marcado pelo ódio tem dividido o país, a esperança é uma revolução na percepção da sociedade em que tipo de valores estamos sedimentando o nosso pais para o amanhã. Uma revolução de cada Brasileiro dentro do Brasil é a mais emergente de todas as mudanças.

Uma esperança e sem bode expiatório!!

Waldeck Alves
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